quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Carta de despedida para o Recife


5 de agosto de 2013

Querido Recife,

Estou partindo, é verdade. Mas, por favor, não se desespere. Volto em breve. Vou sentir falta do seu calor. Sei que baixaste a temperatura para incríveis 19 ºC só pra me fazer ficar. [quem não lembra desse dia com todo mundo postando foto de termômetro no instagram e dizendo que tava morrendo de frio?]  Não me convenceu. Trocarei tuas pontes por outras. O Capibaribe pelo Weser. O Rui Barbosa por um ônibus qualquer [número 26 atualmente]. Paulo Inojosa pela rua da maré cheia [depois descobri que o nome da rua não significa maré cheia, mas tudo bem].
Sim, eu volto. Eu juro que volto. Mas, por favor, se esforce para mudar. Cansei desse teu jeito violento de ser, confesso. Cuide bem da minha família. Meus amigos ficarão sob a tua tutela.
És grosso, mal-educado, mesquinho - mas sabes que te amo, não é? Pois é. Todos dizem pra te largar. Mas te amo com todos os teus defeitos. E não sei se consigo.
Ah, Recife, vai sentir a minha falta. Sei que vais. Mais do que eu sentirei a tua. [mentira]
Estou trocando de portos. Estou trocando de cais.
Troco portanto de amores.
Não, por enquanto, Recife,
não te quero mais.

Ursula Neumann

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